Africa contemporanea

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África Contemporânea


Sumário

A África contemporânea:
Dilemas e possibilidades

A CRISE DO COLONIALISMO EUROPEU E A EMERSÃO NACIONAL NA ÁFRICA 2

NEOCOLONIALISMO, SUBDESENVOLVIMENTO E GUERRA FRIA 5

REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA, GLOBALIZAÇÃO E CRISE 7

A UNIÃO AFRICANA: ALTERNATIVA PARA A EMANCIPAÇÃO 8

A África contemporânea:
Dilemas e possibilidades

A CRISE DOCOLONIALISMO EUROPEU E A EMERSÃO NACIONAL NA ÁFRICA

Uma das implicações históricas mais significativas da Segunda Grande Guerra (1939-1945) foi o declínio da centralidade européia no sistema de poder mundial. Até então, as potências do chamado “velho continente” haviam exercido uma duradoura supremacia sobre as demais regiões do mundo, principalmente nos aspectos econômico, político, diplomático emilitar. Do topo de tal preeminência, os estados nacionais e os homens de negócio europeus submeteram, pela força e pelo logro, povos e civilizações; exportaram mercadorias, capitais e as regras da economia de mercado e impuseram suas línguas, religiões, concepções de mundo e valores culturais. Como corolário de tais processos, o continente africano experimentou a escravidão e o colonialismo, asubordinação de seus sistemas tradicionais de organização social às leis da valorização do capital e testemunhou a constituição de ordenamentos políticos internacionais, nos quais desempenhava o simples papel de “área de influência” e “reserva estratégica” à disposição dos poderes coloniais. Fora assim desde os tempos do Tratado de Tordesilhas (1494), primeiro tratado internacional moderno, passando pelosistema internacional da Convenção de Viena (1815- 1817) — em cuja vigência padeceu a partilha territorial em benefício das nações européias, pactuada na Conferência de Berlim (1884-1885) —, até a época da Liga das Nações (1919-1939), cujo objetivo de reordenar a vida internacional sobre os princípios da soberania nacional e da não-intervenção não contemplou as aspirações dos povos africanos easiáticos à autodeterminação.

Porém, a Segunda Guerra Mundial contribuiria para modificar tal quadro. Esgotadas econômica e militarmente pelo desenrolar da conflagração, as grandes potências européias experimentaram uma limitação (mas não a eliminação) de sua capacidade de preservar coercitivamente grandes impérios coloniais. Ademais, dois novos fatores concorriam para a erosão das bases dalegitimação do colonialismo europeu no mundo:
a) o crescimento do prestígio das concepções e dos movimentos democráticos e progressistas (por definição anticolonialistas) no mundo, que se seguiu à derrota das forças do eixo nazi-fascista;
b) a ascensão, ao primeiro plano, da política internacional de duas novas grandes potências, as quais, devido a motivações diferentes, encontravam-sedescomprometidas com a preservação dos domínios coloniais europeus na África e na Ásia: os Estados Unidos e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
Excluídos da partilha da África na Conferência de Berlim e, conseqüentemente, marginalizados no acesso aos mercados, matérias-primas e áreas de influência no continente africano, aos Estados Unidos interessava, num primeiro momento, uma alteração nostatus quo internacional que lhe concedesse liberdade para realizar seus interesses econômicos e estratégicos na África, sem os inconvenientes gerados pelo exclusivismo colonial europeu. Para a União Soviética — potência cuja matriz histórica remontava às revoluções do ano de 1917 na Rússia —, a descolonização representava um enfraquecimento do “imperialismo ocidental” e aperfeiçoava as possibilidadesde ampliação de sua influência internacional através do apoio aos movimentos de libertação nacionais africanos (e asiáticos) e a aproximação das jovens nações africanas. É bem verdade que o posicionamento norte-americano em face da questão se alteraria a medida em que se deteriorava a atmosfera internacional e a aliança com a URSS era substituída pela guerra fria. Nestas novas condições, a opção...
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