Administração hospitalar

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  • Publicado : 6 de janeiro de 2013
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Na segunda metade da década de 1980, eu tive o privilégio de atuar numa organização hospitalar, por mais de quatro anos, na função de Chefe do Setor de Logística e Finanças, ocasião em que me possibilitou constatar quão complexo é gerenciar esse tipo de organização, sobretudo em face de sua atipicidade. Essa experiência, aliada aos meus conhecimentos profissionais, permitiu-me compreender, comrelativa facilidade, como se estabeleceu o caos em vários hospitais públicos do país. Hodiernamente, observo com profundo pesar, o sofrimento dos brasileiros usuários de tais sistemas de saúde, os quais não dispõem de recursos para pagar um Plano de Saúde. Alguns se arriscam em responsabilizar os políticos e/ou os profissionais da área de saúde pelo colapso no funcionamento dos hospitaisbrasileiros, em função de gestão diletante (não dispõem de plena capacidade administrativa para desenvolver determinadas atividades e tarefas, que são inerentes ao campo de atuação profissional do Administrador Hospitalar); outros afirmam que o caos decorre da crise econômica e da falta de recursos financeiros para viabiliar um adequado planejamento estratégico, objetivando a sustentabilidade, a modernizaçãoe a contínua otimização organizacional do hospital como um todo, de modo a atender a crescente demanda de usuários e o imperativo tecnológico do setor, que se desenvolve de maneira vertiginosa.

Não obstante o caos estabelecido no setor de saúde no Brasil, gerando profundos sofrimentos aos menos aquinhoados financeiramente, ressalto haver exceções: temos o caso do hospital Municipal M’BoiMirim, localizado no Jardim Ângela, uma das áreas mais carentes da cidade de São Paulo. Administrado pelo Hospital Israelita Albert Einsten, completou 01 ano de funcionamento no início de abril deste ano, é considerado um ótimo exemplo de como os princípios de gestão privada podem – e devem – ser aplicados no setor público. Atende cerca de 17.000 pacientes/mês. A grande cartada foi a adoção de umaespécie de terceirização de suas operações. Na prática, a Prefeitura repassou a administração do hospital M’Boi Mirim a 02 instituições privadas, o Albert Einsten e a organização social Centro de Estudos e Pesquisas Doutor João Amorim (Cejam), entidade dedicada à melhoria da saúde pública. Nenhuma delas ganha pelo trabalho. Na gestão do contrato dessas instituições com a Prefeitura, existem metas dequantidade e qualidade de serviços, além do gerenciamento dos contratos de trabalho de cerca de 1.200 pessoas que trabalham no regime de CLT, como na iniciativa privada. A parceria em tela constitui-se numa excelente alternativa para driblar as amarras burocráticas que drenam a eficiência do poder público. Um estudo do Banco Mundial comparou o desempenho de hospitais públicos paulistas sob os doismodelos: o puramente público e os administrados por contratos de gestão com organizações sociais. Nos 27 hospitais terceirizados do estado os pacientes permanecem menos tempo internados e o custo do leito é menor do que nos hospitais públicos ditos puros. O mais importante, a taxa de mortalidade também é menor. Outros pontos positivos observados:
a) Flexibilidade de contratação e demissão, que,no caso, influi diretamente na qualidade dos serviços;
b) Corpo Clínico sempre completo;
c) Salários mais atraentes (o dobro do mercado de trabalho);
d) Elevada profissionalização dos executivos da direção do hospital (o Processo Seletivo é puramente técnico; não há indicação por parte do Prefeito);
e) Inexistência de ingerência política e/ou desvios de recursos, favorecendo a eficiência e atransparência; e
f) Relatórios Técnicos são gerados nos mesmos moldes dos utilizados pelos hospitais privados mais eficientes do país, possibilitando eficaz gerenciamento a partir de centenas de indicadores de desempenhos.
Vê-se, pois, que não é nada fácil administrar um Hospital, principalmente se seus altos executivos não possuírem o devido preparo na área de Administração Hospitalar, a qual...
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