Aborto

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  • Publicado : 21 de abril de 2013
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Dando continuidade ao trabalho, farar-se-á uma reflexão crítica sobre a eficácia do aborto no Brasil. Como já foi dito anteriormente a interrupção de gravidez voluntária no país é, a priori, segundo nosso Código Penal, crime. Porém, essa ilegalidade do aborto não faz com ele não seja praticado, ou que seja inibido.
No Brasil, segundo dados oficiais, ocorrem em média 200 mil curetagens por ano narede pública de saúde tendo um gasto aproximado de 35 milhões de reais. Todas essas curetagens não são feitas somente nos casos de aborto previsto em lei, mas principalmente em casos de abortos mal sucedidos. Ou seja, o Estado tem plenos conhecimentos sobre a ineficácia de proibição do aborto no Brasil, visto que os casos de mal abortamento acabam indo parar nos hospitais da rede pública.
Ailegalidade como já foi dito, não inibe as mulheres praticantes do aborto, o que acaba ocorrendo é uma interrupção da gravidez feita em locais inapropriados, sem material, sem higiene e sem nem mesmo profissional qualificado. Relatos publicados pela revista Ciência e Saúde Coletiva explicitam como alguns abortos clandestinos são feitos. Em um primeiro momento conta-se a história de uma empregadadoméstica, 34 anos, que comprou, clandestinamente, o Cytotec (medicamento usado para o tratamento de úlcera, que provoca o aborto) e o próprio vendedor introduziu o medicamento com a ajuda de uma mangueira de plástico na vagina da mulher. O vendedor aconselhou a mulher que não se deveria retirar a mangueira, após alguns dias de dor e com medo da repressão do hospital a abortante foi internada as pressase chegou a falecer.
Esse medo citado a cima é justamente o de ser presa por conta da ilegalidade, ou o medo do julgamento moral feito nos hospitais. Alguns médicos e enfermeiros possuem resistência e preconceito ao terem de tratar pacientes encaminhados ao hospital por tentarem abortar, como esclarece a antropóloga Silvia de Zordo em seu artigo para revista Ciência e Saúde Coletiva. Aindasegundo a antropóloga, a maioria dos médicos, dos locais pesquisados (maternidades públicas da cidade de Salvador- BA) fazia distinção moral entre as mulheres que praticariam o aborto legal e as que chegavam de um aborto clandestino mal sucedido. Alguns médicos puniam as praticantes de aborto ilegal fazendo com que elas demorassem a serem atendidas, sangrando por horas, muitas chegam até a morrer.Fala-se ainda no artigo de “casas de aborteiras” onde o aborto é feito em um quarto rústico, equipado com sonda, lubrificante e bacia. A prática é feita muitas vezes com a introdução de objetos na vagina como, por exemplo, talos de mamonas, pegadores de macarrão, arame cozido e umedecido com óleo lubrificante. Ou com líquidos ingeridos para expulsar o feto, como o caso de chás abortivos, coca colaquente com remédios efervescentes.
Como se pode ver, o aborto é realizado de maneira cruel, e é na saúde da mulher que vemos a consequência disto. A interrupção de gravidez é a principal causa de morte materna e a quarta, de morte feminina no Brasil. Além disso, nosso país é apontado pela Organização Mundial de Saúde, OMS, como recordista de abortos provocados. A proibição do aborto tem sido umadas principais exposições da saúde e da vida da mulher brasileira em idade fértil, principalmente as mais pobres.
As mulheres mais vulneráveis, segundo artigo da Antropóloga Débora Diniz, juntamente ao Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, ao sociólogo Marcelo Medeiros e ao IPEA, são as negras, com filhos e com idade inferior ou igual a 19 anos. Não se quer dizer que o aborto sejaexclusivo delas, ele ocorre em todas as classes sociais, porém são essas mulheres que mais o procuram e que mais são vítimas das consequências do aborto clandestino. A pouca instrução escolar também a característica das mulheres que mais praticam o aborto.
Ainda querendo desmistificar a prática de aborto somente entre as mulheres mais pobres e com um nível de escolaridade menor, o artigo mostra...
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