Abolicionismo de nabuco

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  • Publicado : 23 de outubro de 2012
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O Abolicionismo foi uma obra de propaganda política, e não foi escrita como um estudo sociológico ou histórico do Brasil imperial. De certa forma, a obra de Nabuco foi tudo isso, pois, para argumentar sua propaganda política a fim de angariar adeptos ao movimento abolicionista, realizou uma minuciosa análise do Brasil de sua época, do cotidiano das senzalas, dos efeitos que a escravidão deixou nopaís em todas as suas esferas, e nas conseqüências que tal regime traria à nação mesmo após a abolição. De tal forma que a riqueza do estudo de Nabuco nesta obra pode ser considerada como um germe das ciências sociais no Brasil, onde o autor chegou a conclusões que só foram publicadas por autores da área em 1933, com Casa Grande e Senzala, e em 1936, com Raízes do Brasil, conclusões que veremosmais adiante.

Vejamos, portanto, o que Nabuco afirma, na sua obra.

O autor afirma que o regime escravo, adotado por Portugal em sua colônia americana, não só fundou a forma como se deu o Estado e a sociedade brasileiros como nele se desenvolveram todas as nossas relações sociais, políticas e econômicas ao longo de sua história, relações essas que não mudaram essencialmente com a independênciado país, nem com a consolidação de Pedro II no poder.

Desde a colônia o regime escravo consistia na utilização de mão-de-obra africana em monoculturas latifundiárias isoladas umas das outras, nas mãos de um único proprietário, que só visava seus interesses imediatistas. Esse modo de produção, essa divisão social do trabalho, essa forma como se dispôs o direito a propriedade foi o quedeterminou todas as relações sociais no país, determinou como se formou e se desenvolveu o Estado: paternalista, autoritário, elitista, imediatista; e determinou como se formou e se desenvolveu a sociedade brasileira: dependente, desprovida de propriedade e desorganizada politicamente, mas de modo que tanto o Estado quanto a sociedade civil se tornaram fracos, e forte é a elite que procura manobrar o paísconforme seus interesses comerciais.

A tudo isso, que parece tão real aos tempos de hoje, é herança do regime escravo. Nabuco analisa que a escravidão penetrou tão forte e profundamente nas nossas relações sociais que se tornou parte mesmo de nossa constituição nacional e a determinou o plano material e o plano das mentalidades em todas as suas esferas. De que modo a escravidão foi tão poderosanesse sentido é o que Nabuco detalha em sua obra.

Tal era a necessidade imediata de se abolir a escravidão que seu atraso acarretaria em conseqüências cada vez mais desastrosas para o futuro da nação. Por isso que Nabuco não desejava tão somene a abolição. Esta seria apenas o primeiro passo necessário para o progresso moral, político, social e econômico do país. Haveria que se pensar,portanto, num projeto para o futuro, para se minar as conseqüências da escravidão após a abolição, o que seria dos escravos ao se tornarem cidadãos brasileiros, e o que seria da nação no decorrer das gerações.

Proponho seguir com os capítulos d´O Abolicionismo, para vermos como se deu o raciocínio de Nabuco no que se refere à escravidão, sua importância e seus efeitos na sociedade brasileira.Primeiramente, o autor expõe ao leitor a sua causa, a quem os abolicionistas representam, o que eles defendem, e desde o princípio, Nabuco deixa clara a importância do africano na constituição do país, tanto na mestiçagem que povoou o país quanto na sua utilização como instrumento de trabalho. Porém, mesmo afirmando toda essa importância do africano escravo, a campanha abolicionista não se dirige aeles, mas aos seus representantes, os abolicionistas. Nabuco tinha em mente que só os intelectuais teriam propriedade suficiente para promover o abolicionismo. O escravo não era considerado cidadão, não era letrado, não era organizado politicamente, além da própria estrutura isolada e fechada das fazendas dificultar uma organização dos escravos, e do regime ter embrutecido e domesticado o escravo....
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