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09























EXPERIMENTAR DEUS

A Transparência de Todas as Coisas





Leonardo Boff





Digitalizado por BlacKnight

























INTRODUÇÃO

O presente texto retoma um escrito produzido em 1974. Muitas coisas mudaram na vida do autor e muitas outras temáticas ocuparam seu interesse, especialmente oalargamento da Teologia da Libertação para dentro da preocupação ecológica. Pobres e Terra gritam porque estão sendo oprimidos. Pobres e Terra devem ser libertados juntos, pois constituem uma única e complexa realidade. O que não mudou, entretanto, foi a busca da experiência de Deus. Ela é o cerne da fé viva e pessoal e o conteúdo principal da teologia, independente de suas tendências e correntes.Experimentar Deus não é pensar sobre Deus, mas sentir Deus com a totalidade de nosso ser. Experimentar Deus não é falar de Deus aos outros, mas falar a Deus junto com os outros.

O texto atual foi profundamente revisto, modificado e completado. Praticamente representa uma obra nova. O interesse dele reside em criar espaço para que cada um possa fazer sua experiência de Deus.

Para encontrarmoso Deus vivo e verdadeiro a quem podemos entregar o coração, precisamos negar aquele Deus construído pelo imaginário religioso e aprisionado nas malhas das doutrinas. Depois de termos mergulhado em Deus e de tê-lo sentido nascendo de dentro de nosso coração, poderemos, livremente, re-assumir o imaginário e as doutrinas. Elas se despem de sua pretensão de definir Deus e se transfiguram em metáforascom as quais nos acercamos do Mistério para não sermos queimados por ele.

Embora sem nome adequado, Deus arde em nosso coração e ilumina nossa vida. Então não precisamos mais crer em Deus. Simplesmente sabemos dele porque o experimentamos.

Petrópolis, Festa de São João Batista, 2002.

Como aparece Deus

no processo de

vida-morte-ressurreição

da linguagem

Partimos daconstatação de que vigora uma vasta crise das imagens de Deus nas religiões, nas igrejas e nas sociedades contemporâneas. Alguns apressados proclamaram logo a morte de Deus. Outros tentam superar a crise elaborando imagens mais modernas e adequadas à nossa percepção atual da realidade. Não representa tal procedimento mero trabalho substitutivo, mantendo a estrutura da crise, pois não rompe com omundo das imagens? Mas há os que procuram pensar a partir de uma instância mais originária do que as imagens: a existência humana, histórica, aberta e dinâmica, onde, de fato, transparece o Mistério, a dimensão de imanência e a de transcendência, isto é, aquilo que chamamos Deus. No início de tudo está o encontro com Deus, não ao lado, dentro ou acima do mundo, mas juntamente com o mundo, no mundo eatravés do mundo. Deus somente é real e significativo para o ser humano se emergir das profundezas de sua própria experiência no mundo com os outros. Por ser real e significativo, apesar de ser Mistério, ganha um nome; projetamos imagens dele; construímos representações. E a forma como concretizamos nossa experiência. Mas é nesse processo que se arma um grave problema: Que valor dar às imagens?Como se relacionam com Deus? Podemos dispensar as imagens? Os homens religiosos que acumularam experiências com a intimidade de Deus poderão nos ajudar. Ao testemunharem Deus, usando o recurso da linguagem e do imaginário, eles afirmam, negam c voltam a afirmar.1 Traçaram-nos um caminho de três passos, que queremos também percorrer.

A) A MONTANHA É MONTANHA:

SABER-IMANÊNCIA-IDENTlFICAÇÃONum primeiro momento da experiência de Deus, sob o impacto do encontro, damos nomes a Deus: chamamo-lo de Senhor, de Pai, de Mãe, de Pedra, de Santo. A palavra está a serviço do que experimentamos de Deus. Fixamos uma representação. Inicialmente não temos ainda consciência de que se trata apenas de uma representação daquilo que não pode ser representado. Deus é Pai bondoso ou Mãe de infinita...
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