25 De abril

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Introdução Ao regressar há poucos dias de uma visita à República Popular de Angola, tive a surpresa de saber que o meu nome tinha sido incluído entre aqueles que deveriam apresentar uma comunicação a este Seminário, naturalmente sobre o tema «Descolonizar». Nada tinha preparado, nem havia materialmente tempo para o fazer, mas a minha completa identificação com os objectivos que levaram aAssociação 25 de Abril e a Fundação Gulbenkian a promovê-lo e organizá-lo, e a consideração que me merecem os participantes e os amigos e camaradas presentes, levam a que não possa eximir-me a esse dever. Peço-vos assim desculpa de não apresentar uma comunicação escrita e a vossa indulgência para qualquer lapso ou falta de rigor de apreciação. No dia 25 de Abril de 1974, ainda com as operações militares emmarcha naquilo que poderia ser apenas um bem sucedido «golpe de Estado», manifestou-se abertamente uma esmagadora adesão popular que teve por base, não apenas a reprovação do caduco regime politico vigente, mas principalmente a esperança de que, com a sua queda, terminassem finalmente as guerras coloniais. Significa isso que a maioria do povo português estava cansada, desiludida dessas guerras,por razões variadíssimas, algumas das quais puramente egoístas, mas que, todas somadas constituíam uma maioria tremenda contra a continuação das guerras coloniais. Esse facto não foi, de certo modo, bem compreendido por quem tomou o poder na altura. E assim até a própria declaração do Movimento das Forças Armadas foi alterada, ainda na noite do 25 de Abril para que não fosse tão explícita em relaçãoao termo das guerras coloniais, para as quais se preconizavam soluções políticas e não militares.

A descolonização na continuidade De qualquer forma, o que se verificou logo a seguir ao 25 de Abril foi que não havia realmente - como já aqui foi apontado - uma política de descolonização definida. Se se pode, ao fim destes anos, dizer que houve uma política de descolonização, deveráconfessar-se que ela resultou de muitos e variados factos. Resultou da correlação de forças (lá e cá) e foi sucessivamente adaptada às circunstâncias, pois não houve, de início, um objectivo comum em que todos estivessem integrados. Dessa forma, a primeira fase daquilo a que podemos chamar descolonização - eu também não gosto do nome, mas é o que existe e quem tiver melhor imaginação que invente outro! - foiaquilo a que podemos chamar a «descolonização na continuidade». Assim, como primeira medida, foram apenas destituídos os Governadores Gerais e Governadores Locais das chamadas Províncias Ultramarinas e os seus lugares ocupados provisoriamente pelos respectivos Secretários Gerais. Seguidamente através duma lenta sondagem política em que se distinguiu o Ministro Dr. Almeida Santos, foram procuradosnovos Governadores (manteve-se o termo) para as Províncias Ultramarinas, que pudessem dar sequência aquilo que seria a descolonização. Dessa forma o Dr. Almeida Santos acabou por escolher e recomendar para Moçambique o Dr. Soares de Meio, que foi nomeado Governador. Para Cabo Verde acabou por ser nomeado o Dr. Fonseca - provavelmente o nome já está esquecido - e para Angola o Dr. Almeida Santosteve muitas dúvidas e não recomendou ninguém! Disse ele quando chegou - e eu ouvi-o - após o contacto com as forças políticas em Angola, que havia alguns 40 governadores potenciais, mas que a nomeação de qualquer deles poria «contra» os apoiantes dos restantes 39! Na realidade, o processo de descolonização em Angola apresentou-se, logo de início, como muito difícil. Viria a ser o mais longo, viriatalvez a ser o mais traumático. De qualquer forma complexo era. logo à partida. Deve-se entretanto vincar que, tendo o 25 de Abril originado o processo de descolonização, muita gente não percebeu - ou não quis perceber - que o sistema colonialista português era uma espécie de castelo de cartas e que, uma vez tirada uma carta, as outras ruiriam com facilidade e o castelo cairia. Essa falta de...
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