20 Maiores educadores

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 10 (2297 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 2 de agosto de 2011
Ler documento completo
Amostra do texto
10/04/2006 - Era da mutação permanente
Adensamento urbano, crise da política, evolução tecnológica, derrocada da razão iluminista: como os pensadores do século XX podem ajudar os educadores de hoje a repensar o seu ofício

Rubem Barros (ilustrações de Artur Lopes)

"Se eu tivesse de resumir o século XX, diria que despertou as maiores esperanças já concebidas pela humanidade e destruiu todasas ilusões e ideais". Assim o violinista e regente americano de origem judaica Yehudi Menuhin, um dos doze nomes chamados pelo historiador Eric Hobsbawm a dar sua impressão sobre o século passado no capítulo de abertura de A Era dos Extremos, define o turbulento período.

Marcado por duas guerras mundiais e por transformações nas relações políticas, sociais e nas formas de produção econômica eintelectual, o "Breve Século XX", como o nomeia Hobsbawm, derrubou também muitas certezas com relação ao conhecimento. "Foi uma crise das crenças e supostos sobre os quais se apoiava a sociedade moderna desde que os Modernos ganharam sua famosa batalha contra os Antigos, no início do século XVIII, uma crise das teorias racionalistas e humanistas abraçadas tanto pelo capitalismo liberal como pelocomunismo(...)", escreve ele.

"E onde a educação entra nesse enredo?", perguntaria o professor, curioso por ver-se espelhado em meio a crise de tamanha importância. Num lugar de grande centralidade, se lembrarmos da missão de emancipação do indivíduo e equalização das oportunidades que a ela reservam os pensadores iluministas e pós-iluministas. Tanto é que diversos países investiram pesadamentena universalização do ensino entre a segunda metade do século XIX e o começo do XX. Argentina e Brasil são exemplos disso. Por estas plagas, a Proclamação da República, com forte inspiração positivista, foi um grande impulso para os ideais de escolarização da população.

Mais de um século depois desse processo, o ensino formal tal qual se pensava à época foi posto de cabeça para baixo, e ainstituição escolar transfigurou-se. A pedagogia ganhou espaço, reformulou práticas, mas o educador - como de resto pessoas de muitos outros ofícios - continuam a buscar o seu lugar na contemporaneidade.

Como descobri-lo? Olhando para além dos limites de sua competência imediata. O século XX foi pródigo na produção de intelectuais originais em diversos campos - filosofia, sociologia, psicologia,antropologia e lingüística, para ficarmos nas áreas dos pensadores indicados a seguir. O estudo de suas idéias é terreno fértil para reavaliar o ato educativo a partir de suas relações com outras instâncias do conhecimento. A sugestão de nomes e obras que se segue é apenas a introdução a um exercício de pensar a educação fora de seus limites ao longo do século, com assumidas lacunas e sem a pretensãode abarcar tudo que de mais expressivo houve.
| |
|  |

Um dos nomes fundamentais para o entendimento do período é o da filósofa política Hannah Arendt, que já nos anos 50 percebera que, com o advento da modernidade, as crises tendiam mais cedo ou mais tarde a se espalhar entre países que se haviam ancorado no mesmoideário.
"Arendt toca em aspectos que estabelecem algumas das causas e razões do nosso mal-estar com a educação, não os vinculando simplesmente aos procedimentos e técnicas pedagógicas. Ela mostra que, se em todas as esferas da vida pública e da vida social a modernidade entra em crise no século XX, a educação não poderia ficar à parte disso", comenta José Sérgio Fonseca de Carvalho, vice-chefedo departamento de Filosofia e Ciências da Educação da FEUSP, sobre o livro Entre o Passado e o Futuro.

Uma das razões que a autora levanta é a derrocada da noção de autoridade que ocorre na modernidade, primeiro no âmbito público - na política, na religião - chegando depois à família e escola, instâncias de ordem privada (a primeira) e de responsabilidade pela paulatina inserção do indivíduo...
tracking img