100 Anos de solidão

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Gabriel García Márquez
Prêmio Nobel de Literatura

Cem anos de solidão
Tradução de ELIANE ZAGURY

48ª EDIÇÃO EDITORA RECORD

RIO DE JANEIRO • SÃO PAULO Título original: Cien Años de Solead Copyright © 1967 by Gabriel García Márquez

Direitos de publicação exclusivos em todos os países de língua portuguesa com exceção de Portugal adquiridos pela DISTRIBUIDORA RECORD DE SERVIÇOS DEIMPRENSAS. A. Rua Argentina 171 — Rio de Janeiro, RJ — 20921-380 — Tel.: 585-2000 que se reserva a propriedade literária desta tradução

Impresso no Brasil ISBN 85-01-01207-6 PEDIDOS PELO REEMBOLSO POSTAL Caixa Postal 23.052 Rio de Janeiro — 20922-970

Obras do autor Cem anos de solidão O amor nos tempos do cólera A aventura de Miguel Littín clandestino no Chile Cem anos de solidão Cheiro degoiaba Crônica de uma morte anunciada Do amor e outros demônios Doze contos peregrinos O enterro do diabo Entre amigos Os funerais da mamãe grande O general em seu labirinto A incrível e triste história da Cândida Erêndira e sua avó desalmada A má hora (O veneno da madrugada) Ninguém escreve ao coronel Notícia de um seqüestro Olhos de cão azul O outono do patriarca Relato de um náufrago Textos doCaribe (2 volumes)

CEM ANOS DE SOLIDÃO Gabriel García Márquez *** O colombiano Gabriel García Márquez (1928) é o último grande contador de histórias do século XX — e, até prova em contrário, da própria literatura ocidental. Depois de cem anos marcados por revoluções literárias radicais, não deixa de ser surpreendente que ele tenha conquistado tamanha notoriedade — nem o Nobel lhe falta ganhou-o em1982 — enquanto tentava apenas imitar o tom com que sua avo materna lhe contava episódios mais fantásticos: sem alterar um só traço do rosto. Em nenhum outro livro García Márquez empenhou-se tanto para alcançar aquele tom como em Cem anos de solidão (1967). Assim, ao mesmo tempo em que a incrível e triste história dos Buendía — a estirpe de solitários para a qual não será dada ‘uma segundaoportunidade sobre a terra” — pode ser entendida como uma autêntica enciclopédia do imaginário, ela é narrada de modo a parecer sempre que tudo faz parte da mais banal das realidades.. Seria ingênuo procurar uma chave que explicasse toda a grandeza deste livro diante do qual o repertório de adjetivos torna-se espantosamente ineficaz. Porém, é razoável atribuir parte do êxito de Cem anos àquelacontaminação, pelo real, do universo maravilhoso da fictícia Macondo, onde se passa o romance. Aqui pesou muito a experiência jornalística de García Márquez. E também a sombra do tcheco Franz Kafka (foi depois de ler a primeira frase de A metamorfose que García Márquez decidiu que seria escritor). Mas, para além desses artifícios técnicos e influências literárias, é preciso que se diga que a atordoantesensação de realidade que transborda do livro deve-se ainda ao fato de que ele foi escrito, segundo o autor, para “dar uma saída às experiências que de algum modo me afetaram durante a infância”. Tome-se, por exemplo, a primeira frase de Cem anos. Quando o escritor era pequeno, seu avô, o coronel Márquez, o apresentou mesmo, maravilhado, ao gelo, tal como José Arcadio Buendía faz com o filho Aureliano. Domesmo modo que José Arcadio, o avô de García Márquez também carregava, na vigília e nos sonhos, o peso de um morto — o homem que havia assassinado. O coronel era marido de Tranquilina, aquela avó que encheu os primeiros anos e o resto da vida do neto Gabriel de histórias bem contadas. García Márquez costuma dizer que todo grande escritor está sempre escrevendo o mesmo livro. “E qual seria oseu?”, perguntaram-lhe. “O livro da solidão”, foi a resposta. Apesar disso, ele não considera Cem anos sua melhor obra (gosta demais de O outono do patriarca, onde o tema também está presente). O que importa? O certo é que nenhum outro romance resume tão completamente o formidável talento deste contador de histórias de solitários — que se espalham e se espalharão por muito mais de cem anos pelas...