1 Texto De Sociologia Sociedade E Poder

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  • Publicado : 30 de março de 2015
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 As novas tecnologias estão acabando com a privacidade das pessoas

Algumas pessoas sabem todos os lugares em que você esteve no ano passado. Possuem também a lista das mercadorias que você comprou, as músicas que ouviu e as pessoas com quem conversou. É possível que elas saibam até a sua preferência sexual. Assustador, não? O motivo alegado para tanta perseguição é apenastrazer segurança e conforto. Para você. Assim como as novas tecnologias se esmeram em acumular e disponibilizar o máximo de informações sobre todos os assuntos de interesse, muitas instituições utilizam os mesmos instrumentos para obter e manipular dados sobre pessoas simples, como eu e você. Empresas tentam reunir informações detalhadas de seus possíveis clientes para oferecer produtos e serviçospersonalizados no momento apropriado. Governos e agentes de segurança tentam registrar todas as atividades da população em busca de criminosos e infratores. O preço a pagar por esses benefícios, no entanto, é ser observado o tempo todo e ter suas informações mais íntimas devassadas.
“Estamos em transição do ‘estado de vigilância’ para a ‘sociedade de vigilância’”, afirma o cientista políticocanadense Reg Whitaker, autor do livro The End of Privacy (O fim da privacidade), inédito no Brasil. Ao contrário do que previam romances como 1984, de George Orwell, ou Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, o que está acontecendo não é apenas um governo centralizado que monitora as atividades da população. Empresas, família e até mesmo vizinhos instalam sistemas de vigilância cada vez maissofisticados. Da mesma maneira, em vez de o Estado obrigar as pessoas a se registrarem em sistemas de controle, são os próprios cidadãos que, cada vez mais, entregam seus dados pessoais de forma voluntária. “A nova tecnologia de controle se diferencia das anteriores de duas formas: ela é descentralizada e consensual”, diz Whitaker.
O rastreamento começa cada vez que saímos na rua. Só na cidade de São Paulo,cerca de 125 000 câmeras monitoram as atividades dos pedestres em prédios, parques, lojas e calçadas. Cerca de 75% das grandes redes de supermercados, farmácias e lojas reforçam a segurança com filmadoras. Em outros países, essa técnica é ainda mais difundida. Até 2004, o governo inglês terá instalado nas ruas uma rede de dois milhões de câmeras para procurar criminosos. Muitas delas estarãoequipadas com sistemas que reconhecem as pessoas pela face ou por sua maneira de caminhar e checam se são procuradas pela polícia. Os motoristas – que, em São Paulo, convivem com mais de 100 radares fotográficos – são vigiados, no Reino Unido, por mais de 7 500 sensores que identificam a placa do veículo e verificam se ele é roubado.
Essa parafernália funciona? Segundo a Companhia de Engenharia deTráfego de São Paulo, o uso de radares eletrônicos diminuiu em até 58% o número de mortes em acidentes fatais. No Reino Unido, alguns crimes de repercussão nacional só foram resolvidos graças à ajuda da rede de câmeras. A eficácia desses equipamentos, no entanto, ainda é objeto de muita polêmica. “As câmeras identificam alguns delitos óbvios no mesmo momento em que acontecem e fornecem, posteriormente,evidências da cena do crime”, afirma Jason Ditton, diretor do Centro Escocês de Criminologia e uma das poucas pessoas a empreender estudos independentes sobre o sistema.
A grande preocupação em relação ao sistema é a possibilidade de abuso. A coordenadora desse programa em um bairro de Londres afirmou à revista New Scientist que um centro de lazer havia colocado câmeras controladas por homens novestiário feminino. Surgiram também diversas denúncias de que os operadores definiam os suspeitos apenas pela aparência – o que abriu a porta para denúncias de preconceito. Em outra ocasião, um operador foi condenado por espionar mais de 200 mulheres e usar o telefone da própria central para assediá-las.
Problemas como esses podem se tornar ainda piores quando forem implantadas algumas outras...
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