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Noção Preliminar de Filosofia — Sua
Finalidade


Amor do Saber e Exigência de Universalidade

1. Poderíamos começar este curso apresentando uma longa série
de definições de Filosofia ou de Filosofia do Direito lembrando o
que disseram, por exemplo, Aristóteles, Kant, Hegel, ou Farias
Brito, sobre a matéria. Seria exigir, no entanto, esforço mnemônico
desmedido, com pouco ounenhum resultado. Devemos, ao
contrário, procurar atingir o conceito de Filosofia através de
demorado e progressivo exame das exigências que suscitaram os
problemas historicamente reconhecidos como sendo de ordem
filosófica. Só essa compreensão histórica é que poderá ser fecunda;
razão pela qual vamos estabelecer, por ora, apenas uma
noção
provisória
ligada às próprias raízesetimológicas do termo.
Se nos inspirarmos nas origens do pensamento ocidental
verificaremos que a palavra
Filosofia
significa amizade ou amor
pela sabedoria. O termo é deveras expressivo. Os primeiros filósofos
gregos não concordaram em ser chamados sábios, por terem
consciência do muito que ignoravam. Preferiram ser conhecidos
como amigos da sabedoria, ou seja —
filósofos.

AFilosofia reflete no mais alto grau essa paixão da verdade, o
amor pela verdade que se quer conhecida sempre com maior
perfeição, tendo-se em mira os pressupostos últimos daquilo que se
sabe.
Filósofo autêntico, e não o mero expositor de sistemas, é, como o
verdadeiro cientista, um pesquisador incansável, que procura sempre
renovar as perguntas formuladas, no sentido de alcançar respostas6
que sejam "condições" das demais. A Filosofia começa com um
estado de inquietação e de perplexidade, para culminar numa atitude
crítica diante do real e da vida.
Aristóteles (384-322 a.C), repetindo ensinamento platônico, dizia
que a Filosofia começou com a perplexidade, ou melhor, com a
atitude de assombro do homem perante a natureza, em um crescendo
de dúvidas, a começar pelasdificuldades mais aparentes ¹.
1 Cf.
Metafísica,
L. I. Cap. 2.". Podemos dizer, com ÉMILE BRÉHIER, que a
filosofia começou quando as afirmações da consciência espontânea sobre o homem e sobre
o universo se tornaram
problemáticas". Êtudes de Philosophie Antique.
Paris, 1955, pág. 12.

O homem passou a filosofar no momento em que se viucercado
pelo problema e pelo mistério, adquirindo consciência de sua
dignidade pensante. Não é preciso, pois, sentir-se tranqüilamente
ancorado em algum sistema de Filosofia, nem ser capaz de dizer em
que ano escreveu Kant cada um de seus estudos, para se possuir
atitude filosófica: esta é própria de quem saiba captar e renovar os
problemas universais sobre o cosmos e sobre a vida,procurando
satisfazer às exigências atuais, significantes por novos e por velhos
problemas situados em diversos ciclos histórico-culturais.
A Filosofia, por ser a expressão mais alta da amizade pela
sabedoria, tende a não se contentar com uma resposta, enquanto esta
não atinja a essência, a razão última de um dado "campo" de
problemas. Há certa verdade, portanto, quando se diz que aFilosofia
é a ciência das causas primeiras ou das razões últimas: trata-se,
porém, mais de uma inclinação ou
orientação
perene
para
a verdade
última, do que a posse
da
verdade plena.
A Filosofia, com efeito, procura sempre resposta a perguntas
sucessivas, objetivando atingir, por vias diversas, certas verdades
gerais, que põem a necessidade de outras: daí o impulso inelutável enunca plenamente satisfeito de penetrar, de camada em camada, na
órbita da realidade, numa
busca incessante de totalidade de sentido,
na qual se situem o homem e o cosmos.
Ora, quando atingimos uma
verdade que nos dá a razão de ser de todo um sistema particular de
conhecimento, e verificamos a impossibilidade de reduzir tal
verdade a outras verdades mais simples e subordinantes,...
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