Ícones faraônicos

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  • Publicado : 10 de outubro de 2012
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Introdução

O antigo Egito não era definido por linhas traçadas em um mapa, mas sim pela geografia e pela inundação anual do Nilo que depositava um lodo fértil ao longo da planície coberta pelas águas.Kemet, a Terra Preta, era a faixa de terra em ambas as margens do rio com seu aluvião escuro que recebia a cevada e o trigo. Todo o resto era a Terra Vermelha, Deshret — o deserto.
Embora asinundações pudessem ser pequenas em alguns anos, ou as colheitas pudessem falhar devido a secas ou outras calamidades, os campos ao longo do Nilo, juntamente com a caça e apesca, geralmente produziam quantidades suficientes de comida para sustentar a vida. Os egípcios ergueram sua civilização sobre alicerces agrícolas. Na medida em que deixaram a vida nômade, foram criando estruturas de madeira, juncoe tijolos. Criaram cerâmica, paletas cosméticas de ardósia e colares de contas. Os artefatos mostram que veneraram o falcão, a vaca e outras animais divinizados. Eles também colocavam os corpos dos mortos na posição fetal, voltados para oeste, e lhes forneciam objetos funerários, sugerindo uma convicção na vida após a morte. Para contar e manter registro dos itens comercializados, criaram umsistema simples de pictogramas.
Por milhares de anos houve dois reinos: ao sul, onde o Nilo se enfiando entre íngremes escarpas e o deserto une os habitantes, o Alto Egito; ao norte, onde o rio se espraiando e formando os pântanos do Delta e os campos férteis dispersa os moradores, o Baixo Egito. Cerca de 5000 anos atrás, o legendário rei do Alto Egito, Narmer, conquistou o Baixo Egito e unificou opaís. Culturalmente havia também uma união pela profunda convicção sustentada pelos egípcios na vida após a morte e pelos rituais necessários para se assegurar a sobrevivência eterna.
A unificação do Egito solidificou a idéia da realeza divina: o faraó era um rei-deus cujo ka, seu espírito imortal, precisava de um corpo perpétuo, o que era conseguido pela mumificação. Múmias reais eram sepultadasem mastabas, estruturas de tijolo retangulares, as habitações da eternidade. O deus com cabeça de falcão, Hórus, originalmente o protetor do Alto Egito, emergiu como o deus supremo do Egito unificado. No decorrer do período pré-dinástico e início do período dinástico, o crescimento da corte real e a centralização do governo foi ajudada pela transformação do sistema de escrita simples compictogramas em um conjunto complexo de hieróglifos representando sons e idéias.
Os burocratas egípcios criaram um calendário solar com 365 dias. Os construtores experimentaram e aumentaram sua habilidade no uso da pedra para construção, enquanto que os artistas refinaram seu estilo de desenhar imagens em superfícies planas ou de criar esculturas. Comerciantes, alguns navegando em navios novos bemequipados, provinham a elite com bens de luxo, inclusive insenso da Arábia, marfim da Núbia, lápis-lazúli do Afeganistão, e casca de cássia da Índia. Escribas, artesãos, comerciantes e outros especialistas criaram uma camada social que não era nem governante, nem camponesa.
Os deuses determinavam quem se tornaria o próximo rei. Por vários meios de adivinhação e consulta aos oráculos, o novo faraó eraidentificado. Ao subir ao trono, ele se transformava na presença viva de Hórus, o deus falcão. Ao morrer, renunciava sua posição em benefício de seu sucessor, o qual, em muitos casos, era seu filho. Entretanto, nem sempre o filho primogênito se tornou o próximo soberano. Às vezes uma pessoa sem relação de parentesco com o rei, como um vizir poderoso ou um senhor feudal, se tornava seu sucessor, ousurgia uma nova linha de reis após o colapso da monarquia anterior.
Os egípcios estimaram que houve um total de cerca de 330 faraós desde Narmer, rei que consolidou a unificação dos reinos pré-históricos do Alto e do Baixo Egito, até a época da conquista de Alexandre, o Grande (332 a 323 a.C.). Alguns não passam de nomes em uma lista e pouco ou quase nada sabemos sobre eles, às vezes nem mesmo a...
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