Ética e política

|FEUP – Faculdade de letras da universidade do porto |
|Trabalho de Ética e Política |
||
| |
|José Hamilton Luduvice de Almeida |
||

|Porto, Janeiro 2011. |

O jornalismo clássico é orientado por uma ética de princípios, sendo o mais importante, a busca e a socialização da verdade de interesse público. Não cabe ao jornalista dosear as verdades que devem ser reveladas, ou suprimirinformações por razões tácticas, visto que deve respeitar valores como a veracidade, rigor e isenção. Nos tempos que correm, onde os meios de comunicação pertencem aos grandes grupos económicos: “Será o dinheiro suficiente para criar uma casta de intocáveis, mesmo quando se trata de factos ou talvez somente de conjunturas que revelam o direito do público à informação?” (CORNU, Daniel, 1994: 66).O filme “O Informador”, realizado por Michael Mann em 1999, é um bom retrato do mundo jornalístico. Uma história baseada em factos reais passados nos EUA, misturando o poder dos “mass media” com o poder económico. Mais do que um filme sobre o tabagismo, é um ensaio sobre o principal alicerce da prática jornalística: o acesso à verdade.
É a história de Jeffrey Wigand, um cientista de umaempresa americana de tabaco que protagonizou um complexo processo de denúncia pública, da utilização pela indústria tabaqueira, de produtos para incrementar a dependência dos consumidores pela nicotina. É uma crítica ao mundo jornalístico e aos seus limites éticos. Retrata as perigosas relações entre os jornalistas e as suas fontes.
Na trama, o único entrave à publicação da informação foi ocontrato de confidencialidade que Jeffrey Wigand estabeleceu com a empresa tabaqueira Brow & Williamson. O enredo revela as tragédias íntimas que é preciso viver para que a verdade seja publicamente expressa. Trata-se de observar a lenta, por vezes inquietante, contaminação do privado pelo público e, mais do que isso, o modo como tal processo transfigura a transparência das relações.
Wigandabdicou de toda a estabilidade financeira que podia ter com a indemnização relativa ao acordo de confidencialidade com a empresa tabaqueira, da sua condição social e da família, em prol da saúde pública. Chegou a ver a sua liberdade por um fio, ao decidir testemunhar contra a indústria de tabaco. Isto leva-nos a considerar que, quanto aos níveis de Desenvolvimento Moral de Kohlberg, Jeffrey Wigandse encontra no estádio 5 do nível de Moralidade Pós-Convencional. É uma perspectiva sócio-moral de alguém que está antes da sociedade, interessado em mudá-la, orientado por valores e princípios universais. De acordo com Orlando Lourenço, é o princípio da utilidade social: a acção mais moral é a que traz maior bem ao maior número de pessoas. Há uma autonomia moral deontológica, ou seja, o sujeitosente-se impelido a agir moralmente. O dever é percebido como uma espécie de perturbação interna e necessidade moral.
A reputação de Wigand começa a ficar cada vez mais destruída por erros cometidos no passado. Uma «campanha negra» levada a cabo pelos assessores da empresa tabaqueira. No entanto, de acordo com a Global Alliance a adesão aos mais altos padrões de rigor e verdade por parte...
tracking img